11/04/2012

Shame - Vergonha

Sobre Nova Iorque, sobre os instintos, sobre o trabalho, sobre as relações. Shame é um filme desavergonhado e muito estranho. Bom, mas estranho. Nas primeiras cenas prevê-se um filme sem pudor e sem medo de mostrar como as coisas são. Depois temos uma Nova Iorque diferente do convencional (sem contar com a Last Night, com a Keira Knightley e Guillaume Canet - uma cidade mais calma, com uma estória mais calma, um filme sobre o amor). Temos um homem que responde aos desejos transformados em necessidades, sem pensar -nele e nos outros e sem sentir qualquer sentimento agarrado a isso. Isto tudo enquanto ouve música clássica. No fim temos um filme “cru” e até mesmo frio.

JoãoG

22/03/2012

Sobre a Arte

“Muita da arte contemporânea assenta numa enorme estrutura discursiva, sem a qual ela pura e simplesmente viria abaixo e se tornaria indistinguível de um monte de lixo.”

“A vida em surdina” (Asa, 2009), David Lodge



De uma maneira geral, a dita arte contemporânea, (à excepção de alguns trabalhos de grande mérito) é um saco sem fundo onde oportunisticamente se enfia tudo, desde aquilo que tem valor até àquilo que de merda pouco passa.


David Pinheiro

10/03/2012

Para ouvir no fim-de-semana

no carro de janelas abertas ao pôr-do-sol (que clichê, meus Deus) e cantar bem alto... É aproveitar este sol e o calor das tardes de Março -esse belo mês- para fazer lembrar o Verão.




JoãoG

23/02/2012

À graciosidade

Quem já viu algum filme em que aparece a Audrey Hepburn, não pode ficar indiferente à sua beleza. Estamos a falar de uma das actrizes mais bonitas e elegantes do cinema. A sua graciosidade é tanta que mesmo em cima de uma vespa, ou num parapeito de uma janela enquanto toca guitarra dá-lhe uma graça distinta.
No Breakfast at Tiffany's, na cena em que a ouvimos a falar português é deliciosa, diria mesmo puro orgulho.
Sim, tenho uma paixão arrebatadora pela Audrey Hepburn.


JoãoG

21/02/2012

Mexefest Porto


Concertos que não quero perder no Vodafone Mexefest de 2 a 3 de Março [Porto].

  • Best Youth

Sala Super Bock Super Rock - Maus Hábitos · 02 Mar · 21h40m

  • Josh Rouse

Teatro Sá da Bandeira · 03 Mar · 21h30m

FNAC Sta Catarina · 02 Mar · 16h30m

  • King Krule

Garagem Vodafone FM · 02 Mar · 00h10m

  • Norberto Lobo

Cinema Passos Manuel · 02 Mar · 21h45m

  • Salto

Cinema Passos Manuel · 02 Mar · 23h30m

  • St. Vincent

Coliseu do Porto · 02 Mar · 00h30m
  • Supernada

Teatro Sá da Bandeira · 02 Mar · 01h30m

  • The Glockenwise

Garagem Vodafone FM · 03 Mar · 20h50m

  • Twin Shadow

Coliseu do Porto · 03 Mar · 00h00m

David Pinheiro

Filmes Simpáticos


Chamar a um filme – ou a um disco ou a um livro ou a coisa que o valha – “simpático” é passar-lhe um atestado de insignificância. Tal como chamar-lhe “competente” ou “bem feito”. “Simpático” não é nada. E é tanto pior porque parece um elogio mas não passa de um insulto velado, sem a atenuante do tom irónico com que boa parte desse maravilhoso e utilíssimo subgénero do insulto é habitualmente verbalizada. Adjectiva-se honestamente um filme de “simpático” porque não se tem nada de substancialmente positivo ou negativo para dizer dele. O filme “simpático” é, portanto, o filme que não nos fere – no bom sentido – de forma alguma; limitamo-nos a sentar-nos (ou a ficar de pé, ou deitado, conforme a inclinação posicional de cada um), consumi-lo pensando ocasionalmente num “ai que bonitinho e bem feitinho” e noutras coisas acabadas em inho, e depois esquecê-lo imediatamente e para sempre.

Este senhor, faz tudo menos filmes acabados em inho. Vamos ver como lhe vão correr os Oscares.

David Pinheiro

06/02/2012

08/01/2012

A melhor música de 2011

1 - "Let England Shake", PJ Harvey
2 - "Os Velhos", Os Velhos
3 - "Smoke Ring for my Halo", Kurt Vile
4 - "Days", Real Estate
5 - "Apocalypse", Bill Callahan
6 - "Bon Iver", Bon Iver
7 - "Tarot Classics", Surfer Blood
8 - "Helplessness Blues", Fleet Foxes
9 - "Deus, Pátria e Família", B Fachada
10 - "Angles", The Strokes

JP

28/12/2011

(Mais) uma canção para fechar 2011



JP

Na prateleira


JP

O ano em revista

Julgo que neste ano a minha geração (os nascidos no final da década de 80) apercebeu-se que o período de relativo bem-estar económico, vivido até há poucos anos atrás, está a esfumar-se rapidamente. Sem cair em profecias catastróficas, dei por mim a pensar sobre as consequências do fim da moeda única, do regresso ao escudo, da capacidade do país em reduzir a despesa do Estado, reduzir o défice, pagar a dívida e fazer crescer a economia. Deste pensamento até à tomada de consciência de que devia ler mais sobre isto foi só um passo. A verdade é que somos inundados por teses e cenários todos os dias. Em cada português parece existir uma costela de opinion maker, o que dificulta a tarefa de quem quer separar o trigo do joio, isto é, de quem quer pôr ambas as mãos à volta de informação fidedigna.

O que me vai ajudando a manter os pés no chão são as preocupações ao nível comunitário, sem cair no bairrismo. Talvez seja esta - a preocupação com o vizinho, o nosso próximo.
- uma parte da solução para alguns problemas da nossa sociedade.

Entretanto fui tentando ler bons livros, ver bons filme e ouvir música. Não, estes não são instrumentos de alheamento, face aos acontecimentos difíceis que temos vivido. Pelo contrário, a cultura também nos ajuda a sermos mais humanos.

JP

Uma canção para fechar 2011



JP

06/12/2011

A primeira semana de Dezembro #3

Hoje e amanhã, B Fachada, vai andar pelo Porto. No Meco, depois do concerto dele, só tinha vontade de me sentar a escrever e a compor. Os lamúrios e as músicas de engate parecem demasiado fácil. Amanhã estamos lá para ver se a vontade ainda é a mesma.



JoãoG

A primeira semana de dezembro #2

Das baterias duras e pesadas do roque d'Os velhos, para as batidas electrónicas pop fixe em português. Aqui está Lucas Bora-Bora.


JoãoG

A primeira semana de Dezembro #1

Os Velhos, o branco, a simplicidade do vídeo, e a grande música que é À minha Alma.



JoãoG

A primeira semana de Dezembro - Prólogo

3 coisas a ter em conta.
Novo teledisco d'Os velhos. O disco do Lucas Bora Bora. E B Fachada amanhã no Porto.

JoãoG

17/11/2011

Mais uma época

Ainda não falei deste regresso às aulas. Um ano depois de ter saído, voltei à vida de livros e laboratórios. Este último ano foi o chamado ano sabático. Ajudei a fundar uma associação de solidariedade, a organizar um concerto de Rock, outro de Gospel, trabalhei, animei mais um campo de férias e fui “convidado a sair” de outro. Li alguns livros, vi muitos filmes, ouvi muita música - vi os Arcade Fire e The Strokes ao vivo - tomei muitos cafés na esplanada do costume, tive reuniões no escritório da cave mais fixe de St Tirso e fiz o jantar de aniversário de um amigo para outros 7. Foi um ano especial. Senti-me muitas vezes um bocado inútil é verdade. Mas ao fazer este balanço, até parece que ocupei o meu ano com imensas coisas.
Isto tudo porque amanhã começa mais uma época de exames.

JoãoG

21/10/2011

Sobre a arte de viajar.

“(…) Um dia, numa espécie de devaneio, vi-me chegado à porta do céu, após esta vida, e S. Pedro a interrogar-me. Com modo afável perguntou-me: «E que te pareceu o Japão?»

-«O Japão? Eu vivi na Inglaterra!»

-«Mas o que fizeste de todo o tempo de que dispunhas, nesse mundo de maravilha, com todos os seus cenários de beleza e locais interessantes, ali postos para vossa edificação? Desperdiçaste o tempo que Deus te deu para aproveitar?» E por isso não tardei a ir ao Japão.

Sim, o que incomoda muita gente no fim da vida é que só então vêem as coisas na sua verdadeira perspectiva, e reconhecem demasiado tarde que malbarataram o tempo, que o gastaram em coisas que nada valiam.

(…)

Quando saí da escola, achei-me, por assim dizer, num quarto escuro, e a educação que recebera era como que um fósforo aceso que me fazia ver como o quarto era escuro, mas também que havia uma vela que podia acender-se com o fósforo e servir-me para doravante me iluminar o quarto.

Mas era apenas um quarto neste mundo de muitos quartos. Comvém examinar os outros quartos, ou seja, os modos de vida das localidades vizinhas ou doutros países, e ver como as gentes ali vivem.

Poderás descobrir que, embora o teu quarto te pareça escuro e lúgubre, há meios de nele admitir mais Sol e de melhorar a perspectiva, se quiseres recorrer a eles. (…)“



Retirado de “A caminho do triunfo”

de Baden-Powell, fundador do escutismo


David Pinheiro

14/09/2011

O Epílogo do Verão



JP

O nosso lado Woody Allen

As pessoas que eu mais gosto partilham uma característica em comum: um lado Woody Allen. Neuróticos, desorientados, engraçados, românticos inveterados e apaixonados pelas coisas simples da vida, só para nomear algumas virtudes. Eu próprio, desde que vi o primeiro filme do Woody, identifiquei-me com a sua persona (ou será que ele faz dele próprio?), com a sua inocência, com a sua nostalgia e com o jeito atrapalhado com que ele lida com o género humano. Ainda hoje, Woody Allen é tema recorrente entre amigos, muitos dos quais têm uma costela woodyodesca bem acentuada. Não deixo de sentir que os seus filmes são uma espécie de homenagem a quem, como nós, ainda gosta de rir.


JP