02/06/2011

In dirth or in excess
Both the slave and the empress,
Will return to the dirt I guess.

A Árvore da Vida, de Terrence Malick, convida-nos a colocar as nossas vidas em perspectiva. A criação do Universo concorre em paralelo com o micro-cosmos de uma família texana nos anos 50. Duas grandes epopeias num só filme. É sem dúvida um projecto arrojado que nos permite reflectir sobre a relatividade, as coincidências, o destino e sobre os valores universais do Homem.

Um tema que me tem consumido nos últimos tempos é a dor. A dor de alguém parece-nos ínfima, facilmente abafada pelo ruído do mundo e aparentemente irrelevante para o curso da História. No entanto, existem pobres pecadores que retiram um sentido do sofrimento. A verdade é que no momento em que a nossa fragilidade humana se mostra mais transparente, um resplendor divino se acende no nosso interior.

25/05/2011

PRO ROCK SOLIDÁRIO 2011


No próximo dia 4 de Junho, Os Golpes, Os velhos e os Efeito Zero, irão actuar na 1ª edição do PRO ROCK SOLIDÁRIO, em Santo Tirso.

A PISTA- Plataforma de Interacção Social Tirsense Activa, associação de solidariedade, é responsável pela organização deste espectáculo no qual a totalidade dos fundos irá reverter a favor da CAID, Cooperativa de Apoio a Integração do Deficiente, associação sediada no concelho de santo Tirso.


A Escola Agrícola de Santo Tirso, acolherá este concerto de beneficência, para o qual as bandas gentilmente prescindiram do seu cachet imbuídos no espírito de ajudar esta nobre causa. O espectáculo terá inicio as 21h30m de Sábado, com as portas a abrirem as 20h30m.


18/04/2011

Diário pt.1.

Eu tenho uma especie de diário..no qual escrevo de muito longe a longe, talvez seja um mensário.. Escrevi no mensário quando entrei na faculdade, escrevi no mensário quando conheci alguém especial, escrevi no mensário quando arranjei o primeiro emprego, escrevi no mensário quando li um grande livro e disse, eu quero ser igual a esta pessoa.. No mensário também fiz planos e disse, daqui a 1 ano vai ser assim..nunca acertei! A vida é o que acontece enquanto se fazem planos, e assim aconteceu, a vida..

09/04/2011

Prémio Roque éne Role 2011

Charlie Sheen está permanentemente sobre o efeito de uma droga: Charlie Sheen. Charlie Sheen não tem nenhuma banda, nem actua a solo, simplesmente encarna o Roque Éne Role. Pois o Charlie tem "sangue de tigre", "ADN de Adónis", é uma "estrela do Roque vinda de Marte" e limita-se a ganhar sempre e em todo lado. Épico.

JP

Sidney Lumet


Eu cresci a ver filmes do Sidney Lumet. Com eles aprendi que as ruas de Nova Iorque são tão deslumbrantes como impiedosas, que por amor podemos cometer o actos mais desesperados, que por ganância trilhámos caminhos de infelicidade. Sidney Lumet trabalhou com grandes actores, realizou filmes com personagens de carne e osso, em "três dimensões" e com alma. Em alguns casos deixou-nos lendas, lembre-mo-nos de "Serpico". É mais um dos grandes cineastas que deixa atrás de si um legado de grande acutilância crítica. No seu último filme, "Before the devil knows you're dead", apresenta-nos a cartilha dos pecados humanos, de tudo o que é errado, injusto, obsceno (não, não me refiro à bela Marisa Tomei) e vil no Mundo. Nesta grande película, não conseguimos empatizar com nenhuma das personagens, quanto mais simpatizar com alguma delas (excepção feita à da Marisa Tomei), contudo ficamos presos ao ecrã, enreda-mo-nos na história. Isto é a arte da vida, isto é cinema, e o Sidney Lumet era um mestre.

Descanse em paz.

JP

06/04/2011

Ouvir Samuel Úria é como ver Nanni Moretti

Seja quando um grita e o outro prolonga a nota mais do que o normal, ou quando um chora a morte do filho e o outro canta uma Lamentação.


JoãoG

30/03/2011

Em contagem decrescente

Concerto Os Golpes + Os Velhos + Efeito Zero
04 Junho 2011 às 21:00
PISTA – em beneficência do CAID | Escola Agrícola Conde de S. Bento, Santo Tirso
daqui a 65 dias e 21:53 horas.

Venham ouvir e ver, cantar e dançar, todos.

24/03/2011

Mais um ponto para Don Delillo

Censos 2011

Algumas perguntas que deveriam constar no questionário dos Censos 2011 e que, previsivelmente, não foram incluídas:

1) Qual é o seu clube de Futebol?

2) Prefere José Saramago ou António Lobo Antunes?

3) Se ganhasse os 133 milhões de euros que estão em jogo no Euromilhões da Semana 12, qual seria a sua primeira compra milionária?

4) É uma "cat person" ou uma "dog person"?

5) Está registado no Facebook?

06/03/2011

Carnaval: dancar, dançar, dançar

127 Horas

O que eu aprendi com o filme que retrata as horas mais dramáticas na vida de Aron Ralston:

1) A água é mais preciosa que a cerveja, ainda que por vezes não admitamos este facto;

2) Ao comprar um canivete não se pode olhar só ao preço. A qualidade da lâmina deve ser o factor determinante na escolha;

3) Avisar a família, ou os amigos, quando se empreende uma viagem para nenhures é da maior pertinência;

4) A decisão de cortar o próprio braço, em circunstâncias semelhantes às vividas por Ralston, é tomada após cerca de 127 horas;

5) Este filme tira-nos a vontade de ouvir os Rolling Stones por um tempo (ainda) indeterminado;

6) Aron é um homem corajoso, tendo demonstrado uma frieza incrível face à necessidade de realizar uma auto-cirurgia estilo "amputação como nos tempos das Guerras Napoleónicas";

7) Os dois melhores filmes de Danny Boyle têm números nos seus títulos: "28 Dias Depois" e "127 Horas";



28/02/2011

Da Justiça


Colin Firth é um cavalheiro, e a hora dos cavalheiros vem sempre.

JP

Fartaram-se

Os primeiros a fartarem-se foram os Tunisinos. Seguiram-se os Egípcios, Iemenitas, e agora os Líbios. Estes povos fartaram-se da falta de liberdade, do constante atropelo aos direitos humanos, da opulência de uns poucos e da miséria da maioria. Enquanto que os governos corruptos caem, não deixo de temer pela ressaca das revoluções. A balança política e social poderá pender para a democracia ou para uma outra qualquer forma de tirania. Esperemos então que os povos do Norte de África e do Médio Oriente estejam tanto fartos da injustiça, como sedentos de paz.
Que assim seja.

JP

14/02/2011

Que Inglaterra estremeça

PJ Harvey é digna de ser admirada. O seu percurso é facilmente resumido: de bad girl, passando por indie girl até ter atingido o seu estado actual de badass girl. PJ arriscou sempre. A sua carreira é pautada pela sua grande criatividade como letrista, bem como pela sua postura de roqueira sem dó nem piedade. PJ gravou grandes álbuns. Os seus dois primeiros discos "Dry" e "Rid of Me" são um contraponto ao brit pop do início dos anos 90, ao explorarem os recantos mais sombrios da mente humana, tal como os Radiohead o fizeram. Noutros discos, como "Stories from the City, Stories from the Sea", somos surpreendidos com uma Polly Jean mais optimista. Contudo, o meu registo favorito de PJ Harvey está incorporado "Uh Uh Her". Guitarras, reverberação e influências do desert rock - em parte cortesia de Joshua Homme e companheiros, aquando da gravação de uma "Desert Session" em 2003, na qual PJ participou. Agora temos este "Let England Shake". Pelo que já ouvi, concluo: PJ não nos para de surpreender. Ah, e tem ainda muita pinta.



JP

07/02/2011

Hino ao meu Fim-de-Semana Passado

Sol, boa companhia, e excelentes notícias no que toca à gestão da minha Família, SA.
Que mais posso desejar? Talvez que a Natalie Portman venha a ganhar o atlético, musculoso e reluzente Oscar. O "Cisne Negro" sustenta-se no portentosa interpretação desta actriz. E, já que estamos em altura de formular desejos, que os Queens of the Stone Age venham actuar no Super Bock Super Rock este ano. Talvez esteja a pedir de mais. Bem, já não é mau quando temos na perspectiva mais um fim-de-semana idílico, na companhia dos Smith Westerns, entre outros ilustres.



JP

p.s.: Senhor assaltante de veículos motorizados, devolva-me o meu rádio por favor. Se amanhã o deixar no mesmo sítio onde hoje o meu carro estava apartado fico-lhe muito grato. Obrigado.

06/02/2011

18/01/2011

Ágape, Agonia

Depois de ter visto o "Somewhere" tive de fazer uma pausa no consumo de cinema. Os filmes de Sofia Coppola levam-me ao desespero, pois no meu íntimo acredito que ela me rouba os pensamentos melancólicos que vou tendo amiúde. Algures a sorte de Stephen Dorff, da escolha da banda sonora e da decisão em filmar no mítico Chateau Marmont, encontraram-se e, para nossa sorte, resultaram num filme magnífico.

O intervalo terminou. O "Never Let Me Go" está à espera.


JP

09/01/2011

Algures entre o fixe e o triste.

Começamos assim: vemos um homem sozinho no meio da estrada.
Há um hotel (há sempre um hotel, Sophia), cerveja e mulheres. e o Sol, aquele Sol.
Depois aparece a filha e entram os Strokes.


Esta música, aquele Sol, naquela piscina com o pai e a filha a brincar são certeiros.
Acabamos assim:



vemos um homem, sozinho no meio da estrada e isso faz todo o sentido.

e não, não vou falar do Lost in Translation..
JoãoG

31/12/2010

O Livro de 2010


A história da América na segunda metade do Século XX. Conspirações, guerras, lixo nuclear, máfia, o sonho americano, JFK, J. Edgar Hoover, Frank Sinatra, Marilyn Monroe, basebol. Uma conclusão que nos deixa a meio do caminho entre a esperança e o desespero: paz.

JP

Que imagem....

O ano está no fim. Amanhã o ano é o outro, não querendo dizer que a vida vai ser outra, ou que os propósito serão outros. Não. As ideias estão cá dentro na mesma, os objectivos continuam os mesmos. Logo, por altura das passas, os desejos, vão continuar os mesmos, os propósitos iguais aos de ontem, aquando das “passas” no cachimbo, em frente ao Mosteiro. Se para o ano, esta imagem se repetir, já me dou por contente. Que imagem! 3 rapazes, cheios de ideias e sonhos a fumar cachimbo, sentados nos bancos de jardim do parque, com o Mosteiro como pano de fundo. Podia ser o início ou o fim de um grande filme.


JoãoG

26/12/2010

Venha Outro

Fazendo uso do vernáculo de James Ellroy, este ano foi para mim uma "wild ride". Estou grato de puder ter ouvido grandes álbuns, ter visto presenciado ao vivo grandes concertos, ter lido grandes livros e de ter visto grandes filmes. Acima de tudo, agradeço o facto de ter tido a oportunidade de conhecer novas e interessantes pessoas e de ter aprofundado a amizade com muitas outras. Se em 2010 a palavra mais utilizada em todo o Mundo foi a malfadada austeridade, no meu caso em particular foi a palavra mudança que mais se apropria ao título de zeitgest anual. Mudança no estatuto social: de trabalhador-estudante, passei a simples trabalhador; Mudança no estatuto profissional: de trabalhador a tempo parcial, passei a trabalhador a tempo inteiro; Mudança no gosto musical: de Arcade Fire-céptico, passei a Arcade Fire-entusiasta. No auto rádio experimentei novos companheiros de viagem: Beach House, Deerhunter e Surfer Blood passaram a fazer parte do cardápio musical. No leitor de DVD aventurei-me na língua alemã: "O Laço Branco" e "A Vida dos Outros" passaram à categoria de filmes imperdíveis. Estas mudanças, ainda que poucas, são contra-balançadas pelas minhas preferências de sempre: Cormac McCarthy está de volta à minha mesa de cabeceira ("Belos Cavalos" foi recentemente republicado), não passo mais de dois dias sem ouvir uma música dos The Strokes, nem deixo de rever o "Annie Hall" e o "Manhattan" de Woody Allen. O que também não mudou foi a minha admiração pelo espírito crítico da blogosfera portuguesa, tendo ao longo deste ano visitado e revisitado blogues imensamente criativos: podem atestar isto mesmo na coluna à direita.

Bem, não interessa que filmes vos deixaram com uma lágrima no olho ou com um sorriso nos lábios, ao som de que músicas é que dançaram, ou que livros vos levaram numa viagem. O que interessa é que tenham feito exactamente todas estas coisas.

JP